Em tempos de Coronavírus, um convite do Papa Francisco

Como vem acontecendo ultimamente, no domingo 22 de março, após a oração do Ângelus, transmitida da biblioteca do Vaticano, o papa Francisco enviou ao mundo esta mensagem:

Gleuso Damasceno Duarte
Publicado em 22-03-2020 – Atualizado em 23-3-2020

Queridos irmãos e irmãs, nestes dias de provação, enquanto a humanidade treme com a ameaça da pandemia, gostaria de propor a todos os cristãos que se unam e elevem suas vozes ao céu. Convido todos os chefes das igrejas e os líderes de todas as comunidades cristãs, juntamente com todos os cristãos das várias confissões, a invocar o Deus Altíssimo, Todo-Poderoso, enquanto recitam simultaneamente a oração que Jesus Nosso Senhor nos ensinou. Convido, portanto, todos a fazê-lo várias vezes ao dia, mas, juntos, a recitar o Pai-Nosso na próxima quarta-feira, 25 de março, ao meio-dia, todos juntos. No dia em que muitos cristãos se lembram do anúncio à Virgem Maria da Encarnação da Palavra, que o Senhor ouça a oração unânime de todos os seus discípulos que estão se preparando para celebrar a vitória do Cristo ressuscitado.

Com essa mesma intenção, na próxima sexta-feira, 27 de março, às 18h (14 h. em Brasília, 17h. em Portugal, ao vivo pelo site Vatican News) presidirei um momento de oração no adro da Basílica de São Pedro, com a praça vazia. A partir de agora, convido todos a participar espiritualmente, através da mídia. Ouviremos a Palavra de Deus, apresentaremos nosso apelo, adoraremos o Santíssimo Sacramento, com o qual no final darei a Bênção “Urbi et Orbi”, à qual estará ligada a possibilidade de receber a indulgência plenária.

Queremos responder à pandemia do vírus com a universalidade da oração, compaixão, ternura. Vamos ficar unidos. Façamos com que nossa proximidade se faça presente junto as pessoas mais solitárias e mais sofredoras. Nossa proximidade com médicos, profissionais de saúde, enfermeiros e voluntários … Nossa proximidade com as autoridades que devem tomar medidas difíceis, mas para nosso próprio bem. Nossa proximidade com os policiais, com os soldados que sempre tentam manter a ordem nas ruas, para que as coisas que o governo pede para o bem de todos nós sejam realizadas. Proximidade com todos.

Manifesto minha proximidade com o povo da Croácia afetado por um terremoto nesta manhã. Que o Senhor lhes dê força e solidariedade para enfrentar essa calamidade.

E não se esqueçam: hoje, cada um pegue o evangelho e leia o nono capítulo de João, lenta e tranquilamente. Também eu vou lê-lo. Fará bem a todos nós.

E desejo a todos um feliz domingo. Não esqueçam de orar por mim. Tenham um bom almoço e até a próxima.

 

Curiosidade histórica: a oração do Ângelus

No século 13, o frade franciscano Benedetto Sinigardi (1190 -1282) um dos primeiros seguidores de São Francisco de Assis, chegou à Terra Santa.

Ali pregou a fé cristã e exerceu o apostolado por duas décadas, a partir de 1220. Durante sua estadia, exercia sobre ele um forte impacto o poder rezar muitas vezes no lugar onde, segundo a tradição, “tudo havia começado, com a mensagem do anjo a Maria”.

Retornando à Europa, em 1241, propagou nos conventos dos franciscanos e em todas as comunidades onde eles viviam a prática de recordar todos os dias esse evento do cristianismo, rezando a saudação do anjo a Maria.

Por volta de 1274, esse costume de saudar a Mãe de Jesus havia se espalhado pela Europa. E no século 14, introduziu-se o costume de repetir a saudação três vezes ao dia.

O nome da oração vem de sua palavra inicial em latim: Angelus Domini nuntiavit Mariae. (O anjo do Senhor anunciou a Maria).

Em tempos mais recentes, a partir do pontificado de Paulo VI (1963 a 1978), algumas emissoras de rádio e televisão passaram a transmitir da Praça de S Pedro, ao meio dia dos domingos, uma breve mensagem do Papa, seguida da oração do Ângelus.

Ultimamente, devido à pandemia do coronavírus, a transmissão vem sendo feita não da praça de São Pedro, mas da Biblioteca papal, no Vaticano.

Na Festa da Páscoa e durante o tempo pascal, o Ângelus é substituído pela oração Regina coeli laetare, aleluia! (Rainha do Céu, alegrai-vos, aleluia!).

Texto de *Gleuso Damasceno Duarte


GDD*Bacharel licenciado em Filosofia. Professor de História. Mestre em Administração. Editor e autor de várias obras didáticas. Foi assistente e professor em escolas salesianas. Atuou no planejamento e implementação da Rede Salesiana de Escolas e, na Edebê-Brasil, como Editor de Material Digital de Ensino Religioso, Filosofia e Sociologia.

Publicado por CSS (Comissão para a Comunicação Social-ISJB)


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