O que Dom Bosco diria deste cara?

Gleuso Duarte*

Sem limites

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Os jogos paralímpicos do Rio de Janeiro foram muito além das expectativas. A empreitada que alguns apostavam predestinada ao fracasso foi sucesso espetacular.

Das muitas recordações que os jogos deixaram em participantes e espectadores, as mais impressionantes foram as lições de superação dos limites humanos, principalmente dos limites à autoestima.

Para os atletas paralímpicos, vitoriosos e perdedores, os limites pareciam não existir. Era impressionante vê-los enfrentar a disputa e, mesmo derrotados, comemorar o fato de estarem ali. Claro, os perdedores sempre em maior número, pois, em todos os jogos, a cada vitória corresponde uma derrota e a cada ganhador um perdedor, talvez muitos perdedores.

Como explicar tamanha dedicação e tanto entusiasmo?

Longe das raias e dos holofotes

Ver aqueles competidores vibrando com a participação em vez de lamentar a derrota fazia pensar também nos muitos que nunca participaram – e talvez jamais participarão – de uma Olimpíada. Nem por isso, são menos admiráveis na superação dos próprios limites.

Exemplo impressionante é o de Nick Vujicic. Tão extraordinário, tão incomum que ao ver suas proezas é impossível não se indagar – Qual o sentido da existência de um “cara” assim?

Nick Vujicic com seu primeiro filho (Divulgação).

Nick Vujicic com seu primeiro filho (Divulgação).

Além do imaginável

Se Dom Bosco vivesse hoje e conhecesse Nick, certamente aplicaria a ele a frase que repetia aos jovens do Oratório: “Deus nos pôs no mundo para os outros” E referindo-se a Nick provavelmente acrescentaria: Eis um magnifico exemplo.

De fato, para quem tem fé, Deus colocou entre nós pessoas como Nick para servirem de exemplo e de estímulo para quantos vierem a conhecê-los. Em especial para os que enfrentam mais dificuldades na vida.

Sem limites “intransponíveis”

Dificuldades todos têm. Uns mais, outros menos.

Sabemos que o ser humano é limitado, imperfeito. E a experiência pessoal nos mostra que todos temos falhas, mais ou menos significativas. Alguns se acomodam a elas; outros lutam com todas as forças, caindo aqui, reerguendo-se acolá.

Mas, o caso de Nick é ímpar: Ele faz das próprias limitações uma força poderosa contra a deficiência, o desânimo, a covardia, o medo do fracasso.

Levado por uma fé inquebrantável na missão que Deus lhe confiou, Nick viaja pelo mundo, evangelizando não apenas com palavras, mas, sobretudo, com sua presença, sua alegria, seu exemplo de superação. Superação de limites que, para a maioria das pessoas, seriam intransponíveis.

 Afinal, quem é este cara?

Sem braços? Sem pernas? Sem problemas! (Divulgação)

Sem braços? Sem pernas? Sem problemas! (Divulgação)

Sobre ele há numerosos clipes na Internet, que ampliam ainda mais o alcance de sua mensagem de resiliência, superação e otimismo. Este é um vídeo que tem boa qualidade  e título provocador:

É provável que depois de vê-lo, você sinta o desejo de conhecer um pouco mais essa figura incrível. Sugerimos dois clipes:

1) uma entrevista de Nick, produzida com boa qualidade técnica e dublada em português.

2) a apresentação que ele fez em Belo Horizonte, em outubro de 2013, na Igreja Batista da Lagoinha. Neste vídeo, com excelente tradução simultânea, ele conta a própria história e o sentido que dá à sua vida, prendendo a atenção de tal modo que mal se percebe o passar do tempo (1 hora e 23 minutos). Vale a pena assistir.

Subsídio valioso

Se você é educador, e quer trabalhar com seus educandos esta versão contemporânea de anúncio da Boa Nova, seria bom fazer antes uma breve reflexão com os jovens sobre a diversidade dos caminhos que os homens têm para se relacionar com Deus. Além da religião católica há inúmeros caminhos que levam ao encontro pessoal e social com o Transcendente. Aliás, quem disse isso foi o próprio Jesus: “o Espírito sopra onde quer”. (João, 3, 8).

O primeiro vídeo (“Sem braços? Sem pernas? Sem problemas!”) pode ser uma ajuda valiosa no trabalho de questões como bullying e valores humanos, e no estudo de temas como autoestima, resiliência, superação dos próprios limites, fé em Deus, acolhida das diferenças e muitos outros.

Aproveite a ajuda! E lembre-se: um bom exemplo vale mais que mil pregações.

[Créditos: Na foto do banner, à esq. à esq. Nick Vujicic falando numa igreja em Ehringshausen,  (Alemanha) em abril de 2011; à direita, num momento de lazer, com seu primeiro filho.