O que Dom Bosco diria destes caras?

Os atletas paralímpicos Roy Perkin, (Estados Unidos), Daniel Dias (Brasil) e Andrew Mullen (Grã-Bretanha) vencedores na prova de natação (200m Livres Masculinos) nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. Foto © Shutterstock

Dentre as boas recordações que as Olimpíadas do Rio de Janeiro deixaram em participantes e espectadores, merecem especial destaque as emoções vividas nos jogos paralímpicos. E dentre estas, as mais marcantes foram lições de superação de limites humanos, principalmente dos limites à autoestima e aos preconceitos.

Gleuso Damasceno Duarte*
Publicado em 30-1-2017 – Atualizado em 10-9-2020

Para todos os atletas paralímpicos, vitoriosos e perdedores, os limites pareciam não existir.
Era impressionante vê-los enfrentar a disputa e, mesmo derrotados, comemorar o fato de estarem ali. Claro, os perdedores eram sempre em maior número, pois, em todos os jogos, a cada ganhador correspondem vários perdedores.
Como explicar tamanha dedicação, tanto entusiasmo?

Longe das raias e dos holofotes
Ver aqueles competidores vibrando com a participação em vez de lamentar a derrota na conquista do melhor resultado, fazia pensar também nos deficientes que nunca participaram – e, talvez, jamais participarão de uma Olimpíada. Nem por isso, são menos admiráveis na superação dos próprios limites, inclusive na vida de cada dia.
Entre incontáveis exemplos dignos de menção, lembramos aqui o de Nick Vujicic. Tão extraordinário, tão incomum que ao ver suas proezas é impossível não se perguntar – Qual o sentido da existência de um “cara” assim?

À esquerda, Nick Vujicic pregando numa igreja em Ehringshausen, (Alemanha) em abril de 2011. À direita, em foto com a família, na praia, meses após o nascimento das gêmeas.
À esquerda, Nick Vujicic pregando numa igreja em Ehringshausen, (Alemanha) em abril de 2011. À direita, em foto com a família, na praia, meses após o nascimento das gêmeas.

Além do imaginável

Ver campeões paralímpicos e pessoas como Nick Vujicic em ação traz-nos à mente um ensinamento bem conhecido de Dom Bosco. Se o Santo dos Jovens vivesse hoje e os conhecesse, certamente aplicaria a eles – e a muitos outros deficientes – a frase que costumava repetir aos jovens do Oratório: “Deus nos pôs no mundo para os outros”. E, talvez, apontando para cada um deles acrescentaria: Eis um belíssimo exemplo.

De fato, para quem tem fé, Deus colocou entre nós pessoas especiais para servirem de exemplo e estímulo para quantos vierem a conhecê-las, exemplo e encorajamento para quem enfrenta mais dificuldades na vida.

Sem “limites intransponíveis”

Sabemos que o ser humano é limitado, imperfeito. E a experiência pessoal nos mostra que todos temos falhas, mais ou menos significativas. Alguns se acomodam a elas; outros lutam com todas as forças, caindo aqui, levantando-se acolá.

Mas, o caso de Nick é ímpar: Ele faz das próprias limitações uma força poderosa contra a deficiência, o desânimo, a covardia, os preconceitos alheios, o medo do fracasso.

Levado por uma fé inabalável na missão que Deus lhe confiou, Nick viaja pelo mundo, evangelizando não apenas com palavras, mas, sobretudo, com sua presença, sua alegria, seu exemplo de superação. Superação de limites que, para a maioria das pessoas, seriam intransponíveis.

Afinal, quem é este cara?

Sem braços? Sem pernas? Sem problemas! (Divulgação)

Nicholas James Vujicic, filho de imigrantes sérvios da Iugoslávia, nasceu na Austrália, em 1982. Vítima da síndrome denominada tetra-amelia (ou focomelia) nasceu sem braços e sem pernas.

Sobre ele há vários videos e artigos na Internet, que contam sua vida e apresentam suas mensagens de resiliência, superação e otimismo. Este vídeo, de boa qualidade, tem título provocador:

É provável que depois de ver esse vídeo, você queira conhecer um pouco mais essa pessoa incrível. Sugerimos:

a) o vídeo seguinte, de boa qualidade técnica, que apresenta uma entrevista de Nick, dublada em português. Acesse [ https://youtu.be/49S4_kTYaZM ]

b) um vídeo amador, em que Nick conta a vida dele, também dublado e com legendas em português. Veja em: [ https://www.youtube.com/watch?v=mFnLdvMfvks ]

E se quiser ir além, vale a pena uma pesquisa na Internet, inclusive em redes sociais, a partir do nome de Nick, cujo sobrenome pode ser escrito também como Vujicik

Subsídio valioso para educadores

Se você é educador, já percebeu que a história de Nick é uma versão atual do anúncio da Boa Nova. Para torná-lo mais proveitoso, seria bom introduzir o vídeo com uma breve reflexão sobre a diversidade dos caminhos que levam os homens a se relacionarem com Deus e com seus semelhantes. A partir da própria realidade, qualquer ser humano pode encontrar caminhos que levam ao encontro pessoal e social com o Transcendente. Aliás, quem disse isso foi o próprio Jesus: “o Espírito sopra onde quer”. (João, 3, 8).

Além disso, os vídeos, sobretudo o primeiro (“Sem braços? Sem pernas? Sem problemas!”) podem ajudar também no trabalho de várias questões – bullying, por exemplo – e no estudo de temas como valores humanos, autoestima, resiliência, superação dos próprios limites, fé em Deus, acolhida das diferenças e muitos outros.

Aproveite a ajuda! E não se esqueça: um bom exemplo vale mais que mil pregações.

*Gleuso Damasceno Duarte

GDDBacharel licenciado em Filosofia. Professor de História. Mestre em Administração. Editor e autor de várias obras didáticas. Foi assistente e professor em escolas salesianas. Atuou no planejamento e implementação da Rede Salesiana de Escolas e, na Edebê-Brasil, como Editor de Material Digital de Ensino Religioso, Filosofia e Sociologia.

Publicado por CCS (Comissão para a Comunicação Social-ISJB)