Paixão que se renova

Educar cristãmente não é só fazer uma catequese: esta é uma parte. Não é só fazer proselitismo — nunca façais proselitismo nas escolas, nunca! Papa Francisco, em 21 de nov. 2015.

Reavivando a chama

Em novembro pp., a Congregação para a Educação Católica da Santa Sé promoveu em Roma o Congresso Mundial sobre educação católica, proposto em 2011 por Bento XVI, com dois objetivos:

    • relançar o compromisso da Igreja no âmbito da educação;
    • comemorar dois aniversários especiais: o 50º ano da declaração conciliar “Gravissimum educationis”, e o 25º da constituição apostólica “Ex corde Ecclesiae”.

Precedido de longa jornada preparatória, o congresso teve aproximadamente 7 000 participantes de diversos países.

O Papa Francisco cumprimenta participantes do Congresso Mundial de Educação Católica. Roma, 21 de novembro de 2015.

O Papa Francisco cumprimenta participantes do Congresso Mundial de Educação Católica. Roma, 21 de novembro de 2015.

Orientados pelo tema “Educar Hoje e Amanhã – Uma paixão que se renova”, os trabalhos buscaram levar todas as pessoas envolvidas na missão educativa em escolas de todos os níveis de ensino a refletir sobre a contribuição que a comunidade cristã pode dar à educação das novas gerações, nos contextos multiculturais e multirreligiosos em rápida transformação, que caracterizam o nosso tempo.

Ponto culminante

A fala do Papa no encerramento do Congresso ressaltou mais uma vez algumas características da pastoral de Francisco: simplicidade, informalidade, comunicação direta sem circunlóquios.

Não havia discurso pronto. O Papa preferiu o diálogo, respondendo a perguntas de participantes. Um professor de Milão lembrou que instituições educativas católicas estão presentes não apenas em países onde os católicos são maioria, mas também onde são minoria; e indagou: – Nesta grande variedade de situações o que, na sua opinião, faz com que uma instituição seja deveras cristã? Depois de ressaltar que no contexto mundial “também nós, cristãos, somos minoria”, Francisco foi muito claro: “ Vem-me à mente o que disse um grande pensador:´Educar é introduzir na totalidade da verdade.´

Não se pode falar de educação católica sem falar de humanidade, porque a identidade católica é precisamente Deus que se fez homem. Ir em frente nas atitudes, nos valores humanos, plenos, abre a porta à semente cristã. Depois vem a fé.

Educar cristãmente não é só fazer uma catequese: esta é uma parte. Não é só fazer proselitismo — nunca façais proselitismo nas escolas, nunca! — Educar cristãmente é levar adiante os jovens, as crianças nos valores humanos, em todas as realidades, e uma destas realidades é a transcendência.”

Música para nossos ouvidos

Para os membros e colaboradores da família salesiana, a fala do papa soa muito “familiar”, o que se deve também a suas conhecidas ligações com a educação salesiana desde a infância.

Na catedral de Brasília, jovens em festa agrupam-se em torno da estátua de Dom Bosco e de seu 9o. sucessor, Pe. Pascual Chávez.

Na catedral de Brasília, jovens em festa agrupam-se em torno da estátua de Dom Bosco e de seu 9o. sucessor, Pe. Pascual Chávez.

Este – levar adiante crianças, adolescentes, jovens, norteados por valores humanos em todas as realidades, – ecoa o ideal de Dom Bosco: formar honestos cidadãos abertos aos valores cristãos e, portanto, abertos à transcendência.

Aliás, em três outros momentos de suas repostas, Francisco refere-se ao Pai e Mestre da Juventude:

      • ao destacar a “educação de emergência” que ele fez no norte da Itália, naqueles tempos tumultuados;
      • ao mencionar os fundadores e fundadoras de congregações religiosas que se dedicaram a ajudar os jovens de rua, os jovens pobres;
      • ao recomendar às congregações que se dedicam à educação que não deixem de estender sua ação às periferias:  “ir à periferia não é só fazer beneficência. Na educação, é levar pela mão, pelo caminho, até onde podem. Aos salesianos, em Turim, eu disse: «Fazei o que fez Dom Bosco, naquele tempo, em que havia tantas crianças de rua, tantas. Educação de emergência. Educação variegada.”

Aval precioso

As diretrizes do Papa podem ser vistas também como um aval precioso à orientação da pastoral e do Ensino Religioso Escolar (ERE) adotada na Rede Salesiana de Escolas. O material pedagógico produzido para o ERE pauta-se pelos preceitos da legislação vigente, particularmente pela exigência jurídica do respeito ao direito de todos à liberdade religiosa, contida na Constituição Federal. Cabe às instituições educativas de todas as crenças, inclusive as católicas, respeitar essas determinações. E elas vedam o proselitismo, como faz também de forma cristalina o ensinamento do Romano Pontífice.

A Edebê Brasil formou uma comissão especial para orientar a elaboração de seu material de Ensino Religioso, que começa a ser introduzido nas séries iniciais do fundamental em 2016. As recentes declarações da autoridade máxima da Igreja Católica foram uma grata surpresa ao confirmar o acerto da linha pedagógica adotada: propiciar uma educação cristã, orientada para a formação de valores humanos levando em conta as realidades multiculturais e multirreligiosas do mundo em que vivemos.   Amplie seu conhecimento.

Leia aqui a transcrição oficial desse diálogo Ou acesse o endereço do Vaticano em http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2015/november/documents/papa-francesco_20151121_congresso-educazione-cattolica.html

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